8 Razões para não investir com a corretora Degiro

Adoro o preçário mas simultaneamente aconselho a não investir com a corretora Degiro. Saiba as minhas 8 razões!


Uso a Degiro na grande maioria das minhas transacções bolsistas mas há determinados pormenores, demasiado importantes diria eu, que frustram o âmago do meu ser.

Anteriormente, escrevi um artigo sobre a corretora Degiro, evidenciando alguns pontos pelos quais deve ou não usar a Degiro, que pode ler aqui.
Este atigo foca-se essencialmente no que menos aprecio e no que eles poderiam melhorar enormemente para deixarem os seus clientes mais felizes.

Spoiler alert: O serviço de apoio ao cliente pode “matar” um bom negócio.

O que evidencio pode não ser um problema para si, pelo que aconselho pensamento crítico para considerar o seu caso pessoal e assim tomar a melhor decisão. Seguem então as 8 razões para não investir com a corretora Degiro.

  1. O serviço de apoio ao cliente é de 1*
  2. As reclamações não são atendidas e não se dignam responder às mensagens
  3. Fecham posições abertas automaticamente sem o notificarem
  4. Não fazem esclarecimentos importantes de forma pró-activa
  5. Falta de transparência no valor das comissões do câmbio automático
  6. Exposição de informação pessoal dos clientes
  7. Dedução de 35% sobre os dividendos de ações da Euronext Lisboa
  8. Mais valias têm de ser declarados no anexo J

1. O serviço de apoio ao cliente é de 1*

Se espera encontrar um serviço personalizado, ou pelo menos informativo e prestativo, a Degiro não é para si.
As respostas formatadas e o não reconhecimento que há situações que não foram ou não estão a ser correctamente endereçadas é de perder a paciência.

Em vários emails ou conversas telefónicas, são capazes de dizer vezes sem conta que trabalham arduamente ou que está para sair uma nova versão da plataforma em n meses. O que não dizem é se essa versão contempla ou não a resposta às suas dores. E está sempre para sair uma nova versão, certo?

Sabe aquela sensação agradável de ouvir as palavras. – “Compreendo. Há realmente aqui espaço para melhoria da nossa parte. Iremos anotar as suas sugestões e ver como podem beneficiar outros clientes. Entretanto, o que podemos fazer para mitigar o problema?

Esqueça! Nunca vai ouvir algo semelhante a não ser que algo mude na Degiro, radicalmente.

Não podem fazer nada para mitigar problemas que não reconhecem (exemplos com mais detalhe abaixo mas enquanto isso): venderem activos sem o notificarem, cobrarem comissões sem as descreverem no extracto de conta corrente, entre outros. Estas “coisas” são banais e acham eles que não importunam os clientes.

Fosse o Jeff Bezos CEO da Degiro e isso mudava de um dia para outro, sem dúvidas acerca disso!

2. As reclamações não são atendidas e não se dignam responder às mensagens

Além do canal normal de suporte por telefone e o email clientes@degiro.pt, têm uma outra linha de reclamações formais que vá-se lá saber porquê, também não funciona. Enviei um email no dia 30 Ago 2018 para reclamacoes@degiro.pt e até hoje, passado mais de um ano, recebi apenas como resposta um email automático em que começava da seguinte forma – “Por favor, note que esta é uma mensagem automática e não o reconhecimento de recepção deste email

Ah, nem conseguem reconhecer que receberam um email de reclamação!! Após esse email, nada! Nem uma única palavra de conforto 🙂

Começo a detectar um determinado padrão de incompetência e anti-profissionalismo e à medida que vou colocando por escrito a minha indignação, começo a questionar-me se tudo isto compensa os baixos preços.

3. Fecham posições abertas automaticamente sem o notificarem

Eu tinha acções da Debenhams que entrou em insolvência (após considerável perda de valor bolsista) há uns meses atrás. A empresa foi “de-listed” mas ainda continuava na minha carteira com um valor de 500 euros, sensivelmente. A semana passada reparei que os títulos foram vendidos automaticamente com o valor de 0 euros.

Telefonei para a Degiro a tentar obter esclarecimentos sobre o que tinha acontecido. Eles também não sabiam e ficaram de ligar mais tarde. Espantosamente, ligaram mesmo! Informaram-me um pouco o que eu já sabia (que a empresa tinha deixado de estar listada na bolsa) e também que ainda estava em carteira porque provavelmente poderia ter sido transaccionada num mercado secundário até ao dia anterior.

A minha primeira grande indignação – É normal que trabalhe com uma corretora que não o avise que um dos seus títulos vai ser removido da bolsa ou que já foi? Eu acho que não. Durante meses, a corretora não teve o profissionalismo de informar os clientes sobre isso. Eu soube dessa informação pelas notícias.

A segunda indignação: Tivesse eu sabido que poderia vender os títulos em mercado secundário e ainda teria salvo 15% do meu investimento total. Dessa forma, perdi 100% do valor investido.

Os títulos foram vendidos automaticamente sem um único aviso ou notificação. Já nem digo uma chamada telefónica mas pelo menos um email já que é o procedimento normal quando compramos ou vendemos títulos através da Degiro.

E claro, a indignação continua, mais indignante do que perder 100% do valor investido foi quando confrontei o Pedro (de apoio ao cliente) sobre o não envio de notificações e esclarecimentos adicionais. Para ele, não há problema nenhum, não é nada com eles.

Quer dizer que fazem alterações na sua conta e está tudo bem. Fosse o dinheiro do Pedro e acho que a resposta dele não iria ser tão parcial.

Insistiu consecutivamente que a Degiro não previa quando uma empresa ficava insolvente e isso era justificação mais que suficiente para terem um processo falho. E eu dizia calmamente (nas primeiras 5 vezes) que concordava mas não era a previsão de falência que estava em causa. Com certeza a Degiro não pode ser responsabilizada por isso mas o que gostaria era que ela esclarecesse sobre o que estava a acontecer e eventualmente me apontasse uma ou mais opções para mitigar o problema (sim, para mim perder quase 4000 euros num investimento é um problema)

E mais uma vez, o mesmo loop… e a cada vez que eu explicava e ouvia a mesma desculpa, mais exasperado eu me tornava. – “Pedro, concordo que a Degiro não tem responsabilidade sobre a insolvência das empresas mas tem sobre o que acontece na sua plataforma e eu gostava de ter sido notificado do que aconteceu e que venderam os meus títulos devido a determinada situação”

– “Ah mas a Degiro não pode prever quando as empresas entram em insolvência” — E o meu sangue começava a fervilhar… era muita incompetência para uma chamada só. Ele ficou de “falar” internamente sobre o assunto e que me enviaria um email sobre o que deveria ser feito numa situação destas.. Não recebi quaisquer emails e não espero receber. É triste pois parece ser o modus-operandi da Degiro ou simplesmente de quem está à frente do serviço de apoio ao cliente.

Portanto, a conclusão é que não espere que o notifiquem se acontecer algum imprevisto às empresas que detém ou fizerem alterações à sua carteira de títulos. Os títulos são seus mas não lhe pertencem.

4. Não fazem esclarecimentos importantes de forma pró-activa.

Este tópico vai um pouco ao encontro do último e reforça ainda mais a ideia que não pode contar com a Degiro para saber o que acontece na sua carteira de títulos. Diria que ambos os pontos são uma base forte para sustentar a ideia de porque não deve investir na Degiro.

Vimos anteriormente que mesmo quando as empresas saem de mercado ou que os seus títulos são vendidos automaticamente pela Degiro, não recebe quaisquer informações.

Outra situação em que este comportamento se repete é no caso de direitos de acções. Eles aparecem na sua conta e desaparecem… sem quaisquer avisos. Se não estiver atento às notícias externas e entrar constantemente na sua conta, pode perder grandes eventos e consequentemente, muito dinheiro.

Quando tem “direitos” de ações, pode fazer 3 coisas:
1) Vender os seus direitos à cotação actual;
2) Exercer os direitos, isto é, utilizá-los para comprar mais ações;
3) Não fazer nada, geralmente a pior opção.

Ora, como a Degiro não o informa que tem determinados “direitos” e que estes expiram em determinado dia, a 3ª opção vai certamente acontecer por omissão.

Se esta informação lhe passar ao lado porque não é um day-trader e por isso, ache que não necessite de estar sempre em cima dos acontecimentos, então pode muito bem acontecer que perca dinheiro pois entretanto os direitos expiram e não fez nada sobre eles.

Eu já perdi dinheiro desta forma e a minha recomendação é que esteja super-atento quando investe através da Degiro. Eles estão demasiadamente focados em competir por preço e não em qualidade de informação.

5. Falta de transparência no valor das comissões do câmbio automático.

Falta de transparência! Sim, muita. Não só quando não aceitam determinadas responsabilidades que eu considero cruciais (descritas acima) mas também por não apresentarem o valor das comissões de câmbio automático no seu extracto.

O câmbio automático acontece quando transacciona títulos por exemplo em USD e a sua conta está em EUR. De acordo com o preçário da Degiro, é cobrada uma comissão de 0.10% em cada transacção.

O que eu considero anti-ético e uma falta de transparência total é que o valor cobrado não é apresentado de forma explícita no seu extracto. Eles agregam a taxa ao valor do câmbio e você não tem visibilidade sobre o montante que pagou. Eles ocultam esta taxa para reforçar a ideia que o preçário deles é competitivo… Sim, mesmo com a taxa é competitivo pelo que não precisariam de usar artimanhas descabidas para alcançar os seus objectivos.

Este já é um assunto em que me “debato” com eles há mais de um ano… parte da reclamação que falei acima era sobre este tema. No fundo, eles estão-se a “marimbar” com o que você acha. E ou dão desculpas grosseiras ou não respondem.

Duvido que este procedimento esteja a respeitar a diretiva MiFID II mas eles também não querem saber.

Quando recebe o email com o valor da transacção e a taxa da Degiro, este também omite esta comissão de câmbio. No email aparece um determinado valor mas a sua conta corrente tem 0.10% a menos.

6. Exposição de informação pessoal dos clientes.

Ah, tanto que se fala da exposição de informação pessoal e do regulamento geral de protecção de dados a nível Europeu.
E a Degiro ignora, de certa forma e embora num contexto mais restrito, estas premissas. E este é mais um item que considero cómico. Também já relatado mas ignorado.

Tal como muitos negócios online, a Degiro tem um mecanismo de referral, do tipo amigo convida amigo onde ambos podem receber um determinado incentivo. Neste caso, o referral da Degiro é composto por um link que eles incentivam que se partilhe nas redes sociais. Até aqui, nada de mal. A única coisa preocupante é que o código do link é composto pelo nome completo da pessoa que o partilha e nem o “de” que consta no nome escapa.

Até poderia ser um engano dos programadores, sim nós fazemos muitos erros desses, mas a partir do momento que o serviço de “des-apoio” ao cliente tem conhecimento, deveria tomar acções para que fosse corrigido e proteger a informação dos clientes.

E que mal tem isso, é só o meu nome completo, perguntam muitos leitores… sim, mas um nome completo aqui, outro email acolá e os engenheiros sociais com esquemas de phishing conseguem aceder a muitas outras informações que usam estrategicamente para eventualmente o desfalcar de alguma forma engenhosa e menos legal.

7. Dedução de 35% sobre os dividendos de ações da Euronext Lisboa

Quando investe em ações da Euronext-Lisboa, o estado “pede” que fique retido automaticamente 28% sobre os dividendos e outros investimentos, como os juros de depósitos a prazo, por exemplo.

Se investe em acções da Euronext-Lisboa através da Degiro, ficará retido para imposto 35% e não os 28% que outra corretora com sede em Portugal lhe retiraria. Apesar de poder vir a recuperar a diferença quando preencher a declaração do IRS, faça conta de receber menos 7% quando receber o valor dos dividendos.

Quando detectei que eram retidos 35% e não os 28%, claro que contactei a Degiro para entender o porquê. Na altura informaram-me que teria a ver com determinados protocolos entre os países e que era algo que estavam a tentar normalizar. Até aqui tudo bem, desde que tenha a oportunidade de abater esse valor na declaração de IRS, está tudo bem. Funciona como um adiantamento ao Estado.

O cómico, mais uma vez foi quando tentei saber a percentagem retida para os restantes mercados. Estados Unidos, Reino Unido, França, Espanha etc. e espame-se, não me souberem dizer!! Enviei email para o serviço de apoio no Reino Unido e Portugal e falei com o “apoio” via telefone e só vi desculpas atrás de desculpas.

Pergunto-me, como é que uma corretora não sabe quanto terá que deduzir sobre o valor recebido em dividendos? Como é que eles não conseguem partilhar uma tabela com esta informação? Para mim, isto é incompetência pura.

Curiosamente, há umas semanas atrás estava a navegar na secção de perguntas frequentes e essa tabela que eu tanto questionei já está disponível (não sei se está completa) mas já é um grande passo.

Bem, nem tudo é mau. Apesar de deduzirem 35% sobre os dividendos da bolsa nacional, deduzem apenas 15% sobre os dividendos dos Estados Unidos (se preencheu o formulário W-8BEN) e 0% se os títulos pertencem ao mercado Londrino.

O que eu senti, é que mais uma vez, o serviço de apoio ao cliente não esteve bem e com as desculpas que arranjam, tornam o sentimento mais acutilante.

8. Mais valias têm de ser declarados no anexo J

Esta é uma grande dúvida dos clientes da Degiro e que passo a esclarecer aqui. As alienações de ações e os dividendos recebidos devem ser declarados no anexo J, isto porque dizem respeito a rendimentos obtidos no estrangeiro.Tal acontece porque embora possa estar a investir em ações nacionais, a Degiro não tem sede fiscal em Portugal.

Na maioria dos casos, tal poderá não ser um problema em si. Poderá dar apenas um pouco mais trabalho mas sabendo como fazer, não acarreta transtornos adicionais.

Considerações finais

Creio que ainda conseguiria recolher mais uma ou outra situação mas para hoje, já me alonguei o suficiente.


Em resumo, se tivessem um bom serviço de apoio ao cliente, com clara gestão de expectativas, a maioria dos problemas seriam mitigados. Se há algo que me deixe perplexo (esta é uma palavra muito positiva) é quando não há a hombridade de reconhecer problemas e ao invés, dar desculpas ou não responder sequer.

E a Degiro tem falhado comigo nesse sentido. OU sou eu que sou picuinhas!! O leitor que tire as suas conclusões. Algum destes pontos é um motivo para não investir com a corretora Degiro?

E o preçário continua imbatível!!

Nota: Como eu gostaria de tomar um café com o/a gestor(a) de produto do portal da Degiro. Cá para nós, acho que ele/ela não usa a plataforma para investir…

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