Bear Market Stop Loss

Ordens de venda stop-loss

Coloque ordens de venda abaixo do valor de mercado e ainda assim acumule lucros com as ordens stop-loss.


As ordens stop-loss são uma ferramenta essencial para minimizar perdas e/ou garantir uma venda com lucro, em caso de queda de mercado.

Neste artigo irei explorar as ordens stop-loss de venda e como estas podem minimizar drasticamente as suas perdas ou assegurar um lucro generoso, mesmo quando o mercado está em queda.

O que são ordens stop-loss?

Uma ordem stop-loss é uma ordem de compra ou venda que é executada pela sua corretora quando o título atinge um determinado preço. 

As ordens stop-loss de venda são colocadas abaixo do preço atual de mercado e só são executadas quando esse limite é alcançado. 

Por exemplo, assumindo que o preço da EDP atual é de 3€ e coloca uma ordem stop-loss a 2.5€. Enquanto numa ordem normal é enviada para o mercado imediatamente, a ordem stop-loss só é enviada para o mercado quando o preço da EDP atinge os 2.5€

Para quem nunca ouviu falar deste tipo de ordens, é talvez um pouco estranho que a ordem de venda seja colocada abaixo do valor de mercado. A lógica subjacente é que se o preço começar a cair, o investidor quererá minimizar os prejuízos, ou melhor ainda, assegurar que vende os títulos com lucro antes que o preço seja inferior ao de compra.

A irracionalidade dos investidores

O ser humano é um ser racional, mas antes de ser racional é emocional e mesmo antes de ser emocional é instintivo. E isto não é apenas uma teoria, é um facto e confirma-se anatomicamente através da existência destes 3 “cérebros”: reptiliano (instinto), límbico (emoções), e neocórtex (raciocínio).

E é por isso que somos tão maus investidores e que apenas uma pequena, muito pequena percentagem de nós consegue bater o mercado, isto é, ter lucros superiores ao que teríamos se investíssemos apenas num ETF que segue um qualquer índice relevante e.g. S&P.

Esta dicotomia leva a vendermos as posições com lucros reduzidos e a aguentar perdas de 40%, 50% e 60%. Colocando as coisas desta forma, dói tanto reconhecer a minha própria irracionalidade.

As ordens stop-loss são uma ferramenta que endereça estes problemas, automatizando o processo de venda. 

Mesmo que a sua estratégia seja a de comprar e manter para sempre, é recomendável e geralmente uma excelente ideia a utilização de ordens stop-loss quando há correções de mercado acentuadas, como as que temos vivido nos últimos meses devido ao covid-19, crise do petróleo e relações comerciais EUA-China.

Em suma, a ideia por detrás das ordens stop-loss é a de deixar os ganhos acumularem e minimizar as perdas à medida que os preços se vão retraindo.

Vantagens de ordens stop-loss

A supremacia deste tipo de ordens é explicado, do meu ponto de vista, pelas seguintes vantagens:

1. Não necessita de monitorizar as suas posições diariamente

A preocupação de estar cognitivamente atualizado sobre a volatilidade dos preços e tendência de mercado, é desgastador. Múltiplas perguntas distraem-nos do que verdadeiramente importa. – Será que devo vender agora, ou espero mais um dia? – Será que o mercado vai descer? Etc., etc.

Não há nada que se compare à tranquilidade, e por não haver garantias neste tipo de investimentos, é de bom senso usar estratégias de minimização de risco.

2. Permite sair de uma posição com lucro

Imagine que está a ganhar 40% num determinado título. Se não tiver uma estratégia de saída pré-definida, e o mercado começar a tombar, a complacência do investidor pode adiar a venda até que estejamos com um lucro negativo. Isto porque à medida que vamos acompanhando o mercado a cair, acreditamos que o preço volte a subir no dia seguinte.

Uma forma de evitar este erro comum seria o de colocar uma ordem stop-loss de 20%. Se o preço da ação descer 20%, então a ordem de venda é executada e permite-lhe ainda sair da posição com outros 20% de lucro.

Mais tarde, e se ainda achar relevante, poderá comprar esses mesmos títulos a preço de saldo.

3. Permite minimizar as perdas

Esta vantagem funciona de forma idêntica à última, mas assume que se coloque a ordem stop-loss a um preço inferior ao que foi pago. 

Há investidores profissionais que recomendam vender sempre que a perda se situe entre os 20%-30% e nunca mais do que isso. Note-se que se o preço de determinada ação descer 50%, terá que subir 100% para que alcance novamente o valor que foi pago.

Pessoalmente concordo, mas tenho-me mostrado relutante em criar ordens stop-loss neste caso, simplesmente porque me iria obrigar ao englobamento nas declarações posteriores de IRS, caso tivesse prejuízo. Isto porque as menos-valias não abatem ao imposto que temos a pagar nas outras categorias de IRS.

O que costumo fazer é, vender algumas posições perdedoras em dezembro e sobre as quais me quero desfazer sem nunca ultrapassar os lucros que tenha tido durante o ano. Assim, pago menos imposto e posso reinvestir noutros títulos que ache mais adequados.

4. Confiança na utilização da conta margem

Para quem usa conta-margem, acho ainda mais essencial ter um mecanismo de saída. Para quem não sabe, a conta margem funciona como um empréstimo que a corretora lhe concede em troca de uma determinada taxa de juro.

Se pedimos muito dinheiro emprestado, face aos bens que temos como garantia (dinheiro e outros títulos), e na eventualidade do mercado cair, podemos ficar numa situação periclitante. Como se sabe, as corretoras minimizam ao máximo a perda do dinheiro que emprestam e se houver uma desvalorização acentuada da sua carteira, há posições que podem ser liquidadas automaticamente sem que o investidor tenha qualquer parecer.

Colocando ordens de stop-loss está a garantir liquidez na sua conta-corrente, o que evitará potencialmente a venda automática de títulos pela corretora.

Desvantagens das ordens stop-loss

Diria que a principal desvantagem é a possibilidade de despoletar uma venda quando há ligeiras oscilações de mercado. Já me aconteceu ver os títulos de uma determinada empresa caírem e serem vendidos, para logo de seguida ver o preço subir como se estivesse numa corrida (há uma lei de Murphy que se deverá aplicar aqui também).

Se um determinado título oscilar cerca de 5% semanalmente, deverá colocar um limite de stop acima dessa percentagem, evitando que sejam vendidos sem haver necessariamente uma queda no valor do título.

Um outro cuidado a ter é que não se fie completamente neste mecanismo. Recentemente, e obviamente com a Degiro, aconteceu que as ordens que tinha foram canceladas e não fui notificado por email. Apesar de poder ter vendido com lucro superior ainda fui a tempo de vender algumas das posições e evitar que perdesse dinheiro.

Qual o preço a que deve definir o stop-loss?

Não há um limite fixo e deverá encontrar um valor que considere equilibrado. 

Quando estou com uma valorização acima de 15%, costumo usar um limite de 10%, permitindo-me fechar a posição lucrando ainda cerca de 5% (pode variar por motivos que explicarei abaixo). À medida que a valorização vai subindo, vou aumentando também o limite, podendo ir até 25%. 

Por outro lado, se considerar a minha posição arriscada posso colocar um limite de 5% e sair graciosamente em vez de acumular uma perda gigantesca.

Tipos de ordens stop-loss

Há essencialmente dois tipos de ordens stop-loss. Ordens ao preço de mercado e ordens com limite. A diferença entre elas é que a primeira é “sempre” (havendo compradores, claro) executada mas não se controla o preço de venda. A ordem com limite pode não ser executada mas também não pode ser vendida abaixo do preço-limite definido. 

Ordem stop-loss de mercado

Este é o tipo de ordem mais simples de criar. Imagine que tem um título cujo preço atual é de 100€ e que pretende vender quando houver uma desvalorização de 10%. 

Neste caso, irá criar uma ordem stop-loss de mercado com o preço de 90€. 

Assim que o preço atingir os 90 euros, é criada uma ordem de venda automática ao preço de mercado. Ora como qualquer ordem ao preço de mercado, os seus títulos poderão ser vendidos a 90€ ou a 85€, diminuindo o seu lucro. Esta diferença poderá ocorrer quando o mercado está a cair a pique ou num título que tenha pouca liquidez (o preço de compra e de venda apresentam uma diferença percentual elevada).

A grande vantagem é que os seus títulos terão grande probabilidade de serem vendidos, mesmo que o valor exato de venda se situe um pouco abaixo do limite que tinha definido.

Ordem stop-loss com limite

Neste tipo de ordens, além de definir o preço de stop-loss, deverá ainda indicar o preço mínimo a que deseja vender. 

Pegando no exemplo anterior. Tem títulos com preço atual de 100€ e coloca uma ordem stop-loss no valor de 90€. O próximo parâmetro é definir o valor mínimo a que deseja vender, o tal limite. Imagine que define então o preço limite a 89.5€. 

Quando o título atingir 90€ é colocada uma ordem de venda ao preço de 89.5€

Se tudo correr bem, a sua ordem é executada e consegue vender com um preço mínimo de 89.5€. No entanto, esta é uma ordem arriscada, pois se houver apenas compradores que estejam dispostos a pagar 89€, a sua ordem nunca vai ser executada, acabando por expirar.

Por esse motivo, recomendo usar sempre ordens stop-loss ao preço de mercado, para diminuir o risco de a sua ordem não ser executada.

Estratégias a usar

Tal como qualquer ordem de venda, deverá ainda definir a quantidade dos títulos que deseja transacionar e ajustar a validade da mesma, podendo ser uma ordem diária ou contínua, isto é, se é válida apenas para a sessão do dia ou ad eternum (até que seja cancelada).

Quanto à validade da ordem, recomendo usar a opção contínua, pois pode alterar e cancelar a mesma quando quiser. Caso contrário terá de criar uma nova ordem todos os dias e isso perpetua a dependência diária da plataforma de negociação.

Em relação à venda parcial ou total, pode vender todos os títulos ou vender 50% dos títulos quando houver uma desvalorização de 10%. Posteriormente poderá vender os restantes títulos quando houver outra desvalorização de 10%, fechando as suas posições à medida que o mercado desce. Se as ações voltarem a subir após a primeira venda, ainda tem as restantes para tentar maximizar o lucro e já assegurou um lucro adicional com as que vendeu.

Pode fazer combinações de preços para ordens stop e quantidade, mas recomendo que mantenha o sistema simples. 

As ordens abordadas acima são estáticas, isto é, a não ser que as altere posteriormente, elas não vão acompanhando o mercado. Por conseguinte, deverá ir ajustando periodicamente a ordem de stop-loss à medida que o preço das ações continue a subir.

Se a ação que estava a 100€subiu e está agora a 110€, deverá ajustar o seu preço de stop para sensivelmente 100€ (assumindo que continua a querer vender quando houver uma desvalorização de 10%)

Com este processo, tem um potencial de lucro com a venda de mais 10%. Nada mau. E à medida que o preço vai subindo, vai ajustando o preço de stop.

Para evitar que flutuações semanais impactem demasiadas vezes o preço de stop, poderá ajustar as suas posições semanalmente num dia definido por si e quando o mercado fechar.

Há ainda um outro tipo de ordem, nem sempre disponível pelas corretoras, que vai ajustando o preço de stop de acordo com um valor absoluto ou um valor percentual. Estas ordens são chamadas de trailing stop.

Ordem de venda trailing-stop

Uma ordem trailing stop acompanha o mercado, não necessitando que as mesmas sejam ajustadas manualmente.

Pode definir o preço de stop em função de uma percentagem, i.e., quando o preço cair 10%, então é dada uma ordem de venda de mercado. Ou, pode também definir um valor absoluto. Quando houver uma desvalorização de 5 euros, então é dada a ordem de venda ao preço de mercado.

A grande vantagem é que requerem muito menos atenção da nossa parte, uma vez que acompanham o mercado constantemente. Outro fator positivo é a flexibilidade em usar um preço de stop baseado em percentagem (e.g. 10%) ou um valor fixo (e.g. 5€)

A desvantagem é que nem sempre estão disponíveis pelas corretoras.

Conclusão

Este artigo pretende elucidar a utilidade das ordens stop-loss de venda e definir algumas estratégias para a sua utilização.

Assumindo que os erros comuns dos investidores é o de fecharem as suas posições quando têm pequenos lucros, e o de deixarem as posições afundarem ainda mais quando já têm prejuízo, as ordens stop-loss permitem contrariar essa tendência ao deixar acumular os ganhos e minimizar as perdas.

Entre os vários tipos de ordens, deve usar ordens stop-loss de mercado e ir ajustando as mesmas semanalmente à medida que o mercado vai subindo.

Sempre que a sua corretora permita configurar ordens do tipo trailing stop, pode usar para maior comodidade e garantia de execução com melhores preços.

Deverá ter ainda em atenção para não colocar um preço de stop com pouca diferença percentual do preço atual porque estas poderão ser vendidas numa normal oscilação de mercado

Como o cuidado nunca é demais, vá monitorizando, de tempos a tempos, as suas ordens para se assegurar que estas não foram canceladas por algum motivo desconhecido.

Não há técnicas ou processos infalíveis no mercado de ações. Considere as ordens stop-loss como mais uma ferramenta no seu arsenal de investidor. Em suma, use e abuse de ordens stop-loss, adaptando as ideias aqui presentes ao seu próprio estilo de negociação.

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Pedro M.
3 meses atrás

Bom artigo Sérgio, parabéns.

CARLOS COSTA
3 meses atrás

Em relação aos ETFs considera vantajoso colocar stop-loss nas posições abertas?

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Olá, chamo-me Sérgio e sou um apaixonado por investimentos e finanças pessoais. Espero partilhar algumas dicas e conhecimento para que possa alcançar mais rapidamente a sua independência financeira. Fique ligado e compartilhe também as suas ideias.

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